Projeto “Medos e Monstros”: Do que tenho medo?

Olá Pessoal;

Entre os meses de fevereiro e março tenho desenvolvido com o meu grupo de crianças na faixa etária de cinco anos, o Projeto “Medos e Monstros”, e  hoje vou contar para vocês, como eu e elas temos vivido essa aventura!

Para começar organizei uma roda de conversa e iniciei o diálogo perguntando se alguém tinha medo de alguma coisa, de imediato uma menina disse que não tinha medo de nada, porque seu pai explicou-lhe que nenhum mal poderia acontecer-lhe.Na sequência um outro menino disse que também não tinha medo de nada, porque era forte.

Como as crianças ficaram bastante empolgadas com o diálogo e começaram falar todas de uma vez, passei a indicar uma criança de cada vez, garantindo assim o direito de cada uma expressar-se.

Foi muito interessante observar a descrição das crianças de  como imaginavam ser aqueles medos que não existem, mas que os adultos às vezes costumam usá-los para que de alguma forma consigam sua “obediência” , como por exemplo, o “Bicho papão”, descreveram como sendo um  bicho bem grande,  peludo e com olhos vermelhos e grandes, ao fazerem isso movimentavam-se e gesticulavam-se como se estivessem dando forma a sua imaginação.

A responsividade e a troca de informações entre as crianças foi algo que garantiu sentido e significado à experiência de ensino-aprendizagem que estava sendo proposta, nesse caso, saber dizer o que amedronta e ouvir o outro.

Na sequência li a história “Quem tem medo de quê?”, de Ruth Rocha. E logo em seguida orientei que expressassem por meio do desenho o que disseram na roda de conversa, o seja, desenhar o que lhe causa medo.

Sobre o desenho:

Antes de apresentar as produções das crianças, considero importante destacar que o processo evolutivo do desenho depende da regularidade em que as crianças são expostas à situações nas quais são incentivadas a desenhar, não a partir de estereótipos, mas sim, a partir da experiência estética de apreciar diferentes tipos de imagens desde as mais surrealistas até as mais realistas. Ou seja, desde da experiência de apreciar as produções de seus pares até as produções de artistas famosos.

Nesse sentido, e mais especificamente nesta atividade, na qual propus às crianças desenharem os seus medos, elas tiveram como aporte a própria imaginação, que ao nosso ver constitui-se de “[…] elementos tomados da realidade e presentes na experiência anterior da pessoa[…]” (Vigotski, 2009,p.20). Sendo assim, observemos agora, quais estratégias as crianças utilizaram para fazer de seus desenhos uma linguagem capaz de representar o que lhes foi solicitado.

No desenho que segue abaixo, a criança que havia dito não ter medo de nada, faz a representação dessa ideia a partir do que conhece sobre ser forte, ou seja, acrescenta o músculo.

Agora vejamos abaixo, algumas das outras representações:

Por meio desse relato, vimos que esta aula foi permeada de experiências de ensino-aprendizagem voltados para diferentes áreas do conhecimento, como: IDENTIDADE E AUTONOMIA; LINGUAGEM ORAL E ESCRITA E ARTES. 

Continuem acompanhando o desenvolvimento desse projeto e outros artigos que temos postado aqui em nosso site. Leiam, curtam, compartilhem e comentem, pois a sua participação é fundamental para que possamos trazer conteúdos que realmente atendam àqueles nos seguem.

Um forte abraço;

Eliane

REFERÊNCIA: VIGOTSKI, Lev S. Imaginação e criação na infância. 2009.  São Paulo. Ed. Ática

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